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Ética e Deontologia: diferenças conceituais PDF Imprimir E-mail
VALÉRIA SAID TÓTARO   
18-Abr-2008
Já em minhas primeiras aulas na disciplina de "Ética e Legislação do Jornalismo" percebo os olhares perplexos dos meus alunos quando lhes digo que o ícone-jornalista Cláudio Abramo, autor do livro "A Regra do Jogo", merece um espaço memorável na história do jornalismo brasileiro pelos seus muitos feitos, mas é devastador para uma discussão ética da profissão o efeito de suas afirmações na  "mardita" frase: "O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista".  Como o "susto" também acontece diante de colegas em seminários e palestras dos quais participo, o presente artigo merece ser lido por todos, sem preconceitos! Por ora, o desafio será meu: o de apresentar didaticamente conceitos cuja dimensão significativa revele a complexidade do tema no Jornalismo, sem cair no simplismo e nem no teoricismo, pelo limite de espaço imposto por todo artigo.

Como é de bom tom numa discussão conceitual, vamos aos preceitos antes de irmos aos (pre) conceitos que assombram a "maledita": do latim moralis, moral traduz-se por "modos de agir de um grupo social; de uma determinada sociedade" enquanto do grego ethos, ética pode ser interpretada por "caráter ou temperamento individual". Mas é certo dizer que, na origem das duas palavras, ta ethé (ética) e mores (moral) sempre foram consideradas sinônimas, grosso modo, de "costumes, caráter, maneira de ser". Em outro dizer, a dimensão moral implica optar entre o "certo" e o "errado", entre o lícito e o ilícito.  

A etimologia que faz a diferença numa discussão dessa natureza é a origem grega da palavra ta ethiké, Ética com "e" maiúscula, de natureza substantiva e que, portanto, refere-se a um ramo da Filosofia que se dedica às coisas referentes ao caráter e à conduta dos indivíduos, tendo por base valores universais como honestidade, busca da verdade, justiça, etc. E, por fim, de deontos vem a origem grega da palavra deontologia, que indica "o estudo das regras de conduta de cada atividade profissional humana".

Apresentadas as definições conceituais, vamos aplicá-las à "mardita", num claro movimento de práxis ética, ou seja, de que os conceitos sejam postos em prática para que haja uma reflexão ética: Quando Abramo afirma que a "ética do jornalista é a mesma do cidadão", ele está certíssimo, pois refere-se ao compromisso social e às responsabilidades da atividade tanto de jornalistas quanto de qualquer outro profissional perante o público: o que implica dizer que ser ético, nessa perspectiva etimológica, é obrigação de todos os profissionais (que também são cidadãos, como médicos, advogados, jornalistas, assessores de imprensa, docentes, etc.), os quais devem buscar a justiça, a verdade e a honestidade em suas atividades.

A afirmação amoral de Abramo, de que o "jornalista não tem ética própria," quebra as regras para aqueles que querem avançar no intrincado jogo da reflexão ética jornalística. E, correndo o risco de perturbar o sono eterno do ícone, afirmo que todas as profissões têm sua ética própria, sim! Ou seja, cada atividade profissional tem suas regras de conduta bem definidas (ta ethé e mores), cuja máxima estaria representada em seus respectivos códigos de ética ou deontológicos. Assim como os médicos brasileiros têm o código deontológico dos médicos no país, nós, jornalistas, também temos o nosso, o atual código de ética (deontológico) dos jornalistas brasileiros (e os Assessores de Imprensa no Brasil há muito já deveriam ter o seu, a fim de delimitar as regras de conduta específicas da função social de sua atividade profissional).

O que significa dizer que a sistematização de códigos (e seu cumprimento) pode ajudar a elevar o espírito crítico dos profissionais e a diminuir os erros crassos da nossa imprensa. Mas não é suficiente para garantir um jornalismo irrepreensível do ponto de vista ético, pois este pressupõe valores que só fazem sentido se forem seguidos tanto pelos profissionais quanto pelos empresários do Jornalismo. A título de exemplo, podemos citar o valor liberdade de imprensa, que é um princípio ético inegociável e que existe justamente para beneficiar sempre os cidadãos e não somente quando não prejudica os negócios da empresa.  Nesse caso, é preciso mais que um código ético para fazer valer esse valor. É imprescindível que haja uma reflexão ética entre jornalistas, empresários, governo e o público sobre o direito inalienável dos cidadãos à informação de relevância social.

Enfim, normas legais e ética jornalística não se confundem, uma vez que a Ética (ta ethiké), como reflexão para se ultrapassar o senso comum da atividade profissional, está sempre em movimento com os homens (repórteres, editores, empresários, cidadãos) enquanto as normas éticas profissionais (ta ethé e mores), cristalizadas no tempo (caso do nosso código de ética, que precisou ser revisado, para acompanhar as demandas profissionais do século XXI). Deu para entender por que aconteceu o Congresso Nacional Extraordinário de revisão do Código de Ética [deontológico] dos Jornalistas Brasileiros, realizado recentemente em Vitória, no Espírito Santo - Nossa obrigação moral, agora, é refletirmos eticamente sobre as atualizações feitas em nosso código e nos parâmetros que utilizamos para tomar nossas decisões diante de um dilema ético (dúvida entre duas alternativas lícitas), a fim de contribuirmos para o aprimoramento de nossa atividade no dia-a-dia das redações. Deixar de fazer essa reflexão é transformar nossa ética profissional em mito!

*Jornalista, membro do Fórum Mineiro e Nacional dos Professores de Jornalismo, professora de Teorias do Jornalismo, Ética e Deontologia do Jornalismo, Teorias da Comunicação, Estudos de Recepção e Audiência, Jornalismo Interpretativo e Opinativo, com ênfase em Jornalismo Literário.

 

 
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